Obesidade

Cirurgia Bariátrica, Balão Intragástrico, Obesidade, Transtorno Alimentares

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A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. Para o diagnóstico em adultos, o parâmetro utilizado mais comumente é o do índice de massa corporal (IMC).

O IMC é calculado dividindo-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. É o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que identifica o peso normal quando o resultado do cálculo do IMC está entre 18,5 e 24,9. Veja a tabela completa e descubra o seu IMC aqui. Para ser considerado obeso, o IMC deve estar acima de 30.

O Brasil tem cerca de 18 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a 70 milhões, o dobro de há três décadas. A obesidade é fator de risco para uma série de doenças. O obeso tem mais propensão a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, entre outras.

Os resultados dos estudos epidemiológicos obtidos na última década apontam a obesidade como importante condição que predispõe à maior morbidade e mortalidade. A prevalência da obesidade vem aumentando em praticamente em todos os países desenvolvidos ,com raras exceções, bem como nos países em desenvolvimento. No Brasil, se registrou um aumento na prevalência de obesidade entre 1975 e 1997 que predominou na região Nordeste e nas faixas da população de menor poder aquisitivo. O excesso de mortalidade condicionada pela obesidade decorre principalmente da maior ocorrência de eventos cardiovasculares. De fato, a obesidade se associa com grande frequência a condições tais como dislipidemia, diabetes, hipertensão e hipertrofia ventricular esquerda, conhecidos fatores de risco coronariano.

Aumentos na frequência de câncer de cólon, reto e próstata tem sido observados em homens obesos enquanto a obesidade em mulheres se associa à maior frequência de câncer de vesícula, endométrio e mamas. Além disso, a obesidade predispõe a outras condições mórbidas tais como colelitíase, esteatose hepática, osteoartrite, osteoartrose, apneia obstrutiva do sono, alterações da ventilação pulmonar, alterações dos ciclos menstruais e redução da fertilidade, condições estas que experimentam melhora com a redução de peso3. Embora ainda não existam dados suficientes para afirmar que o tratamento efetivo da obesidade reduz a mortalidade, não existem dúvidas de que a redução de peso da ordem de 5% a 10% é uma medida efetiva no sentido de combater as condições mórbidas que aumentam o risco cardiovascular.

Cirurgia Bariátrica

Para uma certa parcela da população obesa, as tentativas de mudanças no estilo de vida culminam em fracassos recorrentes, particularmente nos casos mais graves onde o índice de massa corporal atinge valores superiores a 40 kg/m2. De fato, modificações do padrão alimentar e estabelecimento de atividade física regular podem ser práticas impossíveis de se implementar a longo prazo.

Nestes obesos, os inúmeros tratamentos e a oscilação ponderal, além do potencial genético, agravam o quadro clínico. A morbidade associada à obesidade grau III (hipertensão arterial, artropatias, dislipidemias, diabetes, disfunções respiratórias, etc.), gerou o termo “obesidade mórbida” que deve ser abandonado . Sem qualidade de vida e com extrema instabilidade emocional, surge a busca por um tratamento mais eficiente, o qual a medicina responde através da intervenção cirúrgica, na falta de outros tratamentos que possam suprir as necessidades dos pacientes

Do ponto de vista nutricional, os pacientes submetidos à gastroplastia redutora, deverão ser acompanhados, com objetivo de receberem orientações específicas para elaboração de uma dieta qualitativamente adequada. A adesão ao tratamento deverá ser avaliada, uma vez que pacientes instáveis psicologicamente podem recorrer a preparações de alta densidade calórica, de baixa qualidade nutricional, colocando em risco o sucesso da intervenção à longo prazo.

Assim, podemos concluir esta análise acreditando que para qualquer tipo de tratamento da obesidade, do mais simples ao mais radical, a dieta estará envolvida e serão necessários suporte multiprofissional e a participação efetiva do paciente, para garantir um bom nível de adesão e o sucesso terapêutico. A racionalização da conduta, de respaldo técnico e científico, contribui sobremaneira para motivação do paciente, elemento chave para solução ou diminuição do problema.

Via Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Balão Intragástrico

O que é o balão intragástrico?
O balão intragástrico (BIG) é um recurso clínico de tratamento da obesidade que consiste na colocação de um balão de silicone no estômago por endoscopia que preenche aproximadamente 50% da cavidade gástrica promovendo diminuição do apetite e aumento da saciedade. Quando bem indicado, proporciona uma valiosa oportunidade de reeducação dos hábitos alimentares e melhora da relação do indivíduo com a comida e seus impulsos de fome. É um método de tratamento usado há vários anos que se aprimorou com a melhora da qualidade e segurança dos balões mais modernos.

Como é a colocação e a retirada do balão intragástrico?
O processo de colocação é feito com o paciente sob sedação leve(sem necessidade de anestesia) com introdução e preenchimento guiados pela endoscopia e dura em torno de 20 minutos. Embora não seja um procedimento cirúrgico e nem precise de internação, é normalmente realizado em sala totalmente preparada para este tipo de procedimento. Após a colocação é feito o enchimento do balão com 500 a 800 ml de uma solução salina com contraste e corante. O paciente fica com o balão durante 4 a 6 meses quando é então retirado também por endoscopia e sedação.

Quais as vantagens do BIG como método de tratamento da obesidade?
As principais vantagens são (1)reversibilidade: o BIG pode ser retirado a qualquer momento no caso de alguma intolerância; (2) segurança: baixo risco de complicações e (3) repetibilidade: o BIG pode ser colocado sucessivas vezes, se necessário. Outra vantagem é que por promover emagrecimento sem necessidade do uso de medicamentos moderadores de apetite com ação no sistema nervoso central é uma boa alternativa para pacientes que apresentam intolerância, contraindicações ou ausência de resposta com estes medicamentos. Entretanto, é importante ressaltar que o BIG é um método temporário (6 meses), que necessita de forte comprometimento por parte do paciente e ainda possui um custo mais elevado que o tratamento medicamentoso.

Qual a perda de peso esperada com o balão intragástrico?
Embora a perda média fique entre 15 a 20% do peso inicial, esta perda é extremamente variável e depende de vários fatores como peso inicial, adaptação, volume de preenchimento, disposição emocional para mudanças, adesão ao controle clínico e nutricional, grau de atividade física, metabolismo basal, etc. A perda mínima esperada para se considerar que o tratamento foi bem sucedido é de 10% do peso inicial mas há vários pacientes que perdem mais de 30kg. A motivação e a disciplina para implantar as mudanças são os grandes determinantes deste resultado.

Como o balão intragástrico pode ajudar a emagrecer?
Sabemos que o estômago, quando vazio, secreta a grelina, um potente estimulante do apetite no cérebro e até o momento não existe uma medicação que inibe a secreção deste hormônio. Assim, a distensão do estômago pelo balão causa diminuição da secreção da grelina (reduzindo o apetite) e aumenta a saciedade pela sua ação mecânica sobre o sistema nervoso autônomo.

Para quem está indicado o balão?
O balão intragástrico está normalmente indicado para pacientes com obesidade que já tentaram os outros tratamentos clínicos – dieta, atividade física e medicamentos – mas tiveram resposta insatisfatória. É também indicado para aqueles que não toleram medicamentos devido aos efeitos ou não podem usá-los devido a alguma doença ou condição clínica. A Anvisa, órgão regulador do Brasil, aprovou seu uso para pacientes acima do IMC 27 (sobrepeso) e vários estudos já avaliaram o BIG em pacientes pré-obesos com boa resposta e segurança.

Quais são as contraindicações para colocação do balão intragástrico?
Antes de se proceder a colocação é importante avaliar se o paciente não possui contraindicações ao BIG como úlcera péptica, hérnia hiatal significativa, passado de cirurgia gástrica, problemas de coagulação, esofagite grave, uso crônico de antiinflamatórios e alcoolismo. Daí a importância de se realizar exames laboratoriais e uma endoscopia prévia. Pode estar ainda indicada uma avaliação psicológica para se avaliar o grau de comprometimento, compreensão e expectativas por parte do paciente.

Quais os cuidados após a colocação do BIG?
A primeira semana é a que requer mais cuidados devido à adaptação do organismo com a presença do balão. Embora o volume do balão não seja muito diferente do volume de uma refeição usual (considerando a comida e bebida) temos que lembrar que, no caso da refeição, os movimentos do estômago irão promover o seu total esvaziamento o que não ocorre na presença do balão. Por isso, normalmente são prescritos medicamentos para inibir a acidez do estômago bem como as cólicas, náuseas e vômitos que representam uma resposta fisiológica inicial do organismo ao balão. Mesmo com uso da medicação preventiva, 80% dos pacientes apresentam algum episódio de vômito nesta fase de adaptação. Além disso, deve se ter um cuidado especial com a dieta, prescrita e acompanhada por uma nutricionista especializada, inicialmente líquida evoluindo para pastosa e normalizando a consistência com o passar dos dias com grande atenção para a mastigação. Bebidas alcoólicas devem ser totalmente evitadas. O acompanhamento clínico e nutricional – e psicológico quando necessário – é fundamental para que o paciente aproveite ao máximo o benefício proporcionado por este método de tratamento e alcance os resultados desejados.

Quais as possíveis complicações com o balão intragástrico?
O BIG é considerado hoje um método de baixo risco comparado a outras formas de tratamento da obesidade como medicamentos e cirurgia bariátrica. Embora sejam muito raras com os balões mais modernos, as principais complicações já relatadas foram esvaziamento do balão e migração para o intestino (geralmente é eliminado na evacuação mas raramente pode ocorrer obstrução), aparecimento de úlcera gástrica, colonização por fungos. Eventualmente pode ocorrer, nos primeiros dias, desidratação por vômitos na fase de adaptação que responde bem a reposição com soro. Estas complicações são raras sobretudo quando há uma indicação criteriosa, uma avaliação médica criteriosa prévia à colocação, escolha de um endoscopista experiente, um acompanhamento clínico-nutricional constante e principalmente se respeita o tempo de duração de no máximo seis meses. As complicações mais observadas nos estudos foram em pacientes que não voltaram para retirada do balão no prazo recomendado, o que denota a importância de uma boa aliança médico-paciente no momento de se indicar este tipo de tratamento. Devido à presença do corante no balão, em caso de esvaziamento do balão, o paciente perceberá uma cor azul na urina ou nas fezes que o alertará para a procura de orientação médica e programação da melhor conduta.

Após a retirada do balão poderá haver recuperação do peso perdido?
De fato, a colocação de um balão intragástrico pode ter um efeito apenas transitório se não houver um envolvimento do paciente com as mudanças na alimentação, estilo de vida e principalmente da autoestima que poderão ser alcançadas neste tratamento. Por isso, há um grande enfoque no preparo e acompanhamento profissional para que o paciente não se apoie na ilusão de que apenas preencher o estômago com um balão de silicone irá resolver, de forma mágica, seus problemas. Deve-se lembrar que a recuperação de peso pode ocorrer com qualquer modalidade de tratamento da obesidade (até mesmo nas cirurgias bariátricas) se não houver uma participação ativa do paciente neste processo. Na prática clínica vemos que seis meses costuma ser um tempo suficiente para que, com dedicação do paciente e um acompanhamento clínico especializado, a pessoa tenha condições de emagrecer, reeducar seus hábitos e ganhar mais saúde. E que após a retirada, o paciente esteja pronto para se beneficiar dos diversos recursos disponíveis para prevenção da recuperação de peso.

Veja abaixo, um vídeo demonstrando de forma simplificada os procedimentos de colocação e retirada do balão gástrico:

Via Instituto Mineiro de Endocrinologia

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